HOMENS, ATÉ QUE PÁGINA VAI SUA LUTA CONTRA O MACHISMO?

Olá, meu nome é Bruno e trabalho como assistente social no Anexo de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, no fórum de Ribeirão Preto. Diariamente, atendo casos em que mulheres sofreram ou sofrem violências das mais variadas formas, seja física, emocional, psicológica, moral, patrimonial, dentre tantas outras que se apresentam de forma sutil ou não.


Na avassaladora maioria dos casos, essas mulheres passam por essas situações cometidas por homens com quem tem vínculo afetivo, atos cometidos por pessoas em quem confiam, principalmente namorados, esposos, companheiros etc. pra essas situações, existe lei, existe punição e existe proteção pra essas vítimas.

Mas espera, vamos voltar um pouquinho... antes de atuar como assistente social, eu sou homem, sou cisgênero (me identifico com o órgão genital masculino e na identidade de gênero masculina também), sou considerado branco, gay e tenho familiares, amigas, amiges e amigos por aí. Então, bora falar da nossa responsabilidade diária quanto a isso e com quem tá aqui pertinho da gente?

Sabemos bem do quanto mulheres são violentadas diariamente, em todo o mundo e, simplesmente, por serem mulheres numa sociedade organizada de forma machista, patriarcal e misógina (ódio ao feminino). Isso está dado, é sabido, a gente fica indignado e sai falando por aí o quanto isso é errado, com postagens em rede sociais, usamos camisetas da Frida Kahlo, vestimos rosa, pintamos as unhas, usamos saias, “temos que quebrar os padrões de gênero”, dizemos que “todes (olha, usamos até pronome neutro!!)” têm que ter os mesmos direitos, xingamos o governo e pipipi, popopó...

Ok, fizemos nossa obrigação enquanto homens conscientes, pagamos de desconstruídos, mas será que estamos realmente agindo de modo a não prejudicar essas mulheres, principalmente as que estão ao nosso redor? Como você, homem, trata sua mãe, sua amiga, sua namorada, esposa, chefa, companheira de trabalho ou qualquer outra mulher do seu círculo de convívio? O que você efetivamente está fazendo para não ser mais um agressor/opressor de mulheres em nossa sociedade?

Faça algumas perguntas a si mesmo:

· Já corrigiu a piadinha machista do amiguinho? “Por que mulher tem pé pequeno?”

· Já deu dura no parça que compartilha com você imagens de mulheres nuas sem autorização delas?

· Quando um homem e uma mulher estão falando juntos, a quem você dá mais atenção? Aliás, já ouviu uma mulher falar hoje e esperou que ela terminasse o que está dizendo, antes de interrompê-la ou fingir que está ouvindo?

· Chama homem de histérico ou de louco com a mesma frequência que chama mulher de louca ou histérica?

· Consegue xingar uma mulher com o mesmo xingamento que usaria xingando um homem? (puta, galinha, vaca, biscate e tantos outros).

· Os afazeres domésticos da sua casa, quando mora com mulheres, são divididos igualmente? (lembrem de que ninguém usa “piroca ou pepeka” pra limpar a casa. Ou seja, qualquer um pode fazer).

· Nos almoços de domingo da família, quem cozinha, quem lava a louça e quem fica sentado bebendo? Onde ficam as mulheres e onde ficam os homens?

· Agora essa vai especialmente para homens gays (sim, também somos agressores): ainda fala entre os amigos gays que tem nojo de mulher, ou do órgão genital delas?

E aí, como tem se saído com as respostas?


Poderia eu colocar aqui várias outras perguntas direcionadas a nós, homens (gays, bi, pans, assexuais etc), de forma a nos fazer pensar especificamente nas nossas atitudes diárias, rotineiras, não só com mulheres, mas também com tudo aquilo que envolve o feminino, a feminilidade e refletir sobre como estamos e o que queremos para o bem comum e bancar isso, não só no discurso, mas NA PRÁTICA! A propósito, uma perguntinha extra: seu discurso e sua prática estão do mesmo jeito, tudo igualzinho, alinhadinho? Pensa aí!

A luta para essa mudança é árdua, é diária e requer reflexão a todo momento, além de uns tapas nas nossas próprias caras, como um “peraí, Bruno! Você foi machista aqui, muda agora!” para si mesmo, já que nascemos e crescemos numa sociedade culturalmente organizada dessa forma.


A pergunta final e crucial é: “eu quero ser quem? O agressor ou o que age para construir uma sociedade melhor?”.

Se a sua resposta for sim para a segunda opção, vamos juntos, chega aqui, que vai dar certo!

Agora se sua resposta for sim para a primeira opção, sinto muito, parça, mas vamos pra cima de você e aqui você não vai crescer não!

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